KYC
Conhecer o cliente antes de conceder um produto. De onde vem a obrigação, o que um processo de KYC comprova concretamente e em que se diferencia de AML e de KYB.
Em resumo
KYC são as siglas de know your customer, conhecer seu cliente. É o conjunto de verificações que uma organização realiza para estabelecer quem é uma pessoa antes de vinculá-la, e para manter essa identidade digital atualizada enquanto durar a relação.
Não é um trâmite do cadastro. É uma obrigação contínua: a organização precisa saber quem é seu cliente no primeiro dia e continuar sabendo no ano seguinte.
A obrigação nasce da prevenção à lavagem de dinheiro, não do produto
O KYC não foi inventado por uma área de produto para reduzir fraude. Nasceu como requisito regulatório dos regimes de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, e a partir daí se espalhou.
Isso explica duas coisas que surpreendem quem vê isso pela primeira vez.
A primeira: o KYC exige conservar evidências, não apenas verificar. Um processo que verifica corretamente mas não deixa registro auditável de como verificou não cumpre.
A segunda: a obrigação alcança muito mais organizações do que os bancos. Em vários países da região o mesmo dever recai sobre cartórios, imobiliárias, casas de câmbio, plataformas de apostas e empresas que concedem crédito sem serem instituições financeiras.
O que um processo de KYC comprova
Por trás da sigla há verificações concretas, e cada uma responde a uma pergunta diferente.
- Identificação — coletar os dados da pessoa e o documento que diz comprová-los.
- Autenticidade do documento — que o documento apresentado seja genuíno e não uma alteração nem uma reprodução.
- Correspondência biométrica — que o rosto de quem se vincula seja o do documento.
- Presença — que haja uma pessoa real no momento da captura, e não uma fotografia, um vídeo ou um rosto gerado. É a verificação que foi acrescentada quando falsificar um rosto deixou de ser caro.
- Contraste contra listas — que a pessoa não conste em listas restritivas nem se qualifique como pessoa politicamente exposta.
- Perfilamento de risco — classificar o cliente para definir com que intensidade ele será monitorado depois.
As seis produzem evidência. Essa evidência é o entregável real do processo.
Onde se exige um KYC
A obrigação não é uniforme na região, e convém saber qual se aplica antes de desenhar o processo.
- [Colômbia](/regulacion/colombia) — o SARLAFT para as entidades supervisionadas pela Superintendencia Financiera, e o SAGRILAFT para o setor real.
- [México](/regulacion/mexico) — a lei antilavagem, que alcança as instituições financeiras e um amplo catálogo de atividades vulneráveis fora do sistema financeiro.
- [Brasil](/pt/regulacao/brasil) — os deveres de PLD/FT sobre as instituições reguladas.
Nos três casos o dever tem a mesma forma: identificar, conservar a evidência e mantê-la atualizada. O que muda é quem supervisiona, a partir de qual limiar e com quais prazos.
KYC, AML e KYB não são a mesma coisa
Os três termos aparecem juntos e nomeiam coisas diferentes.
- KYC — conhecer a pessoa que se vincula. Ocorre principalmente no cadastro e é atualizado depois.
- AML — o programa completo de prevenção à lavagem de dinheiro, do qual o KYC é uma parte. Inclui também o monitoramento de operações, o reporte à autoridade e a gestão do risco institucional.
- KYB — conhecer a empresa cliente, o que acrescenta a verificação de sua existência legal, de sua estrutura societária e de quem a controla em última instância.
O erro frequente é tratar o KYC como se fosse o programa inteiro. Verificar bem cada pessoa no cadastro não cobre o que acontece com suas operações seis meses depois.
Perguntas frequentes
São as siglas de know your customer, conhecer seu cliente. Nomeia o conjunto de verificações que uma organização realiza para estabelecer quem é uma pessoa antes de vinculá-la, e para manter essa informação atualizada enquanto durar a relação. Não é um trâmite do cadastro: é uma obrigação contínua, então a organização precisa saber quem é seu cliente no primeiro dia e continuar sabendo no ano seguinte.
Seis coisas diferentes. A identificação coleta os dados da pessoa e o documento que diz comprová-los. A autenticidade do documento comprova que ele é genuíno e não uma alteração nem uma reprodução. A correspondência biométrica comprova que o rosto de quem se vincula é o do documento. A presença comprova que há uma pessoa real no momento da captura, e não uma fotografia, um vídeo ou um rosto gerado. O contraste contra listas comprova que a pessoa não consta em listas restritivas nem se qualifica como pessoa politicamente exposta. E o perfilamento de risco classifica o cliente para definir com que intensidade ele será monitorado depois. As seis produzem evidência, e essa evidência é o entregável real do processo.
O KYC é conhecer a pessoa que se vincula, principalmente no cadastro e com atualizações posteriores. O AML é o programa completo de prevenção à lavagem de dinheiro, do qual o KYC é uma parte: inclui também o monitoramento de operações, o reporte à autoridade e a gestão do risco institucional. O KYB é conhecer a empresa cliente, o que acrescenta a verificação de sua existência legal, de sua estrutura societária e de quem a controla em última instância. O erro frequente é tratar o KYC como se fosse o programa inteiro: verificar bem cada pessoa no cadastro não cobre o que acontece com suas operações seis meses depois.